Três observações sobre virtudes e defeitos num casamento

Como sempre faz este Site cristão, oferecemos ao público um apanhado qualificado de orientações bíblico-teológicas para a vida a dois, acrescido da psicologia e da experiência de vida, para apontar o caminho ideal de uma união de homem, mulher e Deus.

Orientação ao Ca3Em muitos relacionamentos amorosos, situações inesperadas podem nos levar a tomar decisões que jamais deveríamos tomar, sobretudo quando olhamos as coisas pelo crivo da Palavra de Deus, nosso guia infalível para tudo. No entanto, se nossas atitudes forem ruins ou negativas, é preciso tomar todo cuidado, pois é um claro sinal de que nosso relacionamento, ao invés de estar nos fazendo bem, está nos fazendo mal, e talvez um mal que só venhamos a se dar conta quando já for tarde demais.

Por isso, preste bastante atenção e tome muito cuidado com três situações plausíveis no dia-a-dia de qualquer relacionamento, sobretudo num matrimônio cristão (“Casamento-a-Três”), pois elas demonstram um caminho prejudicial à sua saúde física, mental e espiritual. Veja.

1 – Cuidado: Você nunca foi ciumento(a) até agora…

a-mulher-ciumentaMuitas pessoas acham que sentir ciúme é demonstração de amor, mas não é isso que ensina a Palavra de Deus. Para a Bíblia, o amor verdadeiro não é ciumento, não é invejoso, não é impaciente, enfim, é tudo o que não se vê no mundo! Ciúme sempre denota a ideia fixa e perigosa de posse ou propriedade sobre o companheiro(a), e aqui cabe lembrar que ninguém é de ninguém, mas todos somos de Cristo (se é que nos entregamos a Ele) e, apesar da boa intenção da figura de linguagem empregada, nós não estamos esperando nossas metades, propriamente, pois com Cristo somos seres inteiros.

Mas digamos que você, mesmo sendo uma pessoa de Cristo, está sentindo um tipo de ciúme que não é sadio (daquele que vem e lhe reclama quando acontece alguma besteirinha aqui ou ali, e que está chegando ao ponto de ter sua mente bombardeada o tempo inteiro com medos e preocupações). Ora, é neste momento que você precisa avaliar bem as causas de tal sentimento, e voltar imediatamente para as suas orações: pode ser produto de tentação e chegou a hora de orar. Mas você também pode perguntar para si mesmo(a): Ele/ela te dá a atenção que você deseja ou a atenção que ele/ela pode dar? Ele/ela é uma pessoa carinhosa ou você é que é exigente demais com ele/ela?

O ciúme também pode ser um resultado, ou um indicador de que o relacionamento não está indo bem, ou pelo menos não do jeito que deveria ir, conforme o padrão do Evangelho. É preciso ponderar os pontos e averiguar se isso vem da sua parte ou se é apenas a sua resposta ao comportamento do(a) outro(a). Se, porventura, seu ciúme se tornar obsessivo, ao ponto de passar todos os seus momentos pensando onde ele ou ela poderia estar e fazendo o quê, então este é o momento exato para refletir em tudo o que está acontecendo e lhe deixando neste mal-estar. Provavelmente a Bíblia do casal está sendo negligenciada.

Podem existir duas razões para a possessividade: ele/ela não dá a atenção que você esperava porque está se sentindo desvalorizado(a); ou você realmente possui um complexo de inferioridade que lhe faz reduzir-se a praticamente nada que valha a pena, e o(a) outro(a) já notou isso. Em ambas as situações é preciso sentar e conversar com o cônjuge, pois tais problemas só podem ser solucionados pelo casal. Casamento cristão não é apenas um “estado civil”, mas é também uma “equação de terceiro grau”, daquelas bem complexas, que nós chamamos entre nós de “Casamento-a-Três”.

2 – Cuidado com a anulação (de um ou de ambos)…

Homem ciumento-1Acontece bastante por aí do(a) cônjuge decidir “congelar” ou anular partes de sua vida pessoal em favor da vida a dois, sobretudo se não tiver entendido bem o “Casamento-a-Três”. É preciso tomar muito cuidado, pois isto pode ser uma armadilha psicológica das piores, a qual poderá mais tarde lhe pegar, e aí às vezes nem psicologia resolve!. Assim, casar com alguém não significa a anulação ou a renúncia completa da nossa individualidade: o casamento não nos faz um ser único, ou a história de se tornarem os dois uma só carne está mal entendida. Esta expressão bíblica aplica-se aos corpos, enquanto unidos pelo sexo, e à espiritualidade, enquanto curtida numa só fé, num só Senhor e – se possível – numa só igreja. Mas jamais significa um anular a personalidade do outro, como o diabo faz no fenômeno da possessão.

Atente para este detalhe importante: determinadas situações que vivíamos nos tempos de solteiro(a) devem ficar para trás; porém não a nossa vida inteira! Por exemplo: você não precisará deixar sua partida de futebol de domingo com os amigos, mas também não poderá fazer isso todos os dias! As mulheres podem continuar visitando suas amigas, mas não todos os dias!: o Matrimônio exigirá sempre uma moderação, uma ponderação, um equilíbrio. Logo, o casal precisa saber que determinadas situações não poderão ser vividas “livremente”, como eram vividas antes da união ter sido desejada e oficializada no casamento civil e religioso. Isto é ponto pacífico. O Casamento-a-Três é assim, pois é Deus quem manda nele.

Enfim, tudo o que é bem ponderado traz saúde à mente e ao relacionamento, e o contrário provoca perturbação mental e enfraquece o sentimento que uniu o homem e a mulher. É uma tolice esquecer que agora vivemos com outra pessoa, que também traz o seu próprio universo mental, gostos pessoais, bagagem familiar, manias antigas, etc. Anular-se, mesmo que para o bem do relacionamento, é matar uma parte de nós: algo que, com o passar do tempo, cobrará muitas vezes o seu doloroso preço. Seja você um crente fiel a Deus e tenha plena consciência de que todos nós somos seres únicos em constante aprendizado.

3 – Cuidado: Casar é submeter-se mais ainda a Cristo…

Família aos pés de Cristo-2Você já ouviu a expressão: “Deixar livre: ‘caso não volte, nunca nos pertenceu; caso volte, sempre nos pertenceu’?”. Pois é, casamento não deve ser visto como uma prisão, mas certamente faz parte de sua servidão a Cristo, de quem todos somos “escravos com alegria”. Assim sendo, casar é ter a liberdade de aceitar plenamente a pessoa que julgou ideal para uma vida em comum até que a morte leve um dos dois. Claro que, no decorrer do caminho, um dos dois pode detectar um enorme defeito no outro, e por isso a arte de conversar com franqueza é o santo remédio para tudo, e nunca poderá deixar de fazer parte dos laços matrimoniais; porém, atenção: quando a conversa não tem efeito algum sobre o outro, então é chegado aquele momento já descrito em Mateus 18,15-17, no qual as coisas serão obrigadas por Deus a voltar à normalidade.

Alguns maridos ou esposas ao dizerem o tão sonhado SIM no altar, acabam acreditando que a partir dali passam a ser “donos” de seus companheiros, como se as vidas e experiências do(a) outro(a) não fizessem parte da pessoa por quem se apaixonaram. O casamento sempre significará jogar tudo fora (todo o passado “meio irresponsável” de solteiro) e recomeçar uma nova programação de vida, tendo os dois que ficarem felizes com a nova programação.

Nenhum dos dois pode se sentir infeliz ao perceber que estão tentando remodelá-lo(a) de uma certa maneira, pois esta é uma das mais divinas finalidades do casamento, a saber, levar os cônjuges a se aproximar cada vez mais da santidade e do amor de Deus, exemplificado em sacrifício pessoal por pessoas que nem mereciam tal gesto. Não é a ideia pessoal de um dos dois que vai ditar a forma como o outro tem que se modificar, mas é a forma que Deus desenhou que deve ditar o novo modo de ser, com base na Palavra de Deus (por isso se vê a importância da pertença a uma igreja cristã onde a Bíblia seja bem ensinada).

Casal aos pés de Cristo9Entrar num “Casamento-a-Três” é e deve mesmo ser um farol a iluminar o mundo, com os cônjuges cristãos a dar o bom exemplo de uma união em nome de Deus, e em nome do qual tudo é realizado, inclusive mudanças pessoais que ninguém no mundo tenta. Ao casarmos com Deus nem podemos, a rigor, seguir aquela lógica tacanha do mundo, a qual diz que devemos aceitar a pessoa do jeito que ela é, com seus defeitos e qualidades. É justamente o contrário: só no “Casamento-a-Três” é que se pode esperar por melhorias substanciais nas almas humanas, porquanto Deus espera que, unindo o tesão do amor humano com a “terapia” do amor dELe, não haja mais motivo algum para as mudanças não ocorrerem! Claro que as mudanças devem ser conscientes e voluntárias, devendo partir do próprio indivíduo e mediante a sua alegria de se ver “merecedor(a)” do amor do(a) outro(a) e de Deus.

Finalmente, o casamento cristão também significa uma espécie de “morte para o mundo”, tal como morremos para o pecado, passando a ser uma nova criatura em Cristo. Com novos planos, ações e intuitos. Isto é condição sine qua para o sucesso, e não uma opção escolhível num momento de paixão cega. Um casamento só é prisão NEGATIVA quando um dos lados percebe seu insucesso em agradar o parceiro por si mesmo e, mesmo assim, tenta de todo jeito prendê-lo(a) a si, sem mudar o seu próprio jeito ou corrigindo o que precisa corrigir. Em tudo, porém, o casal cristão tem que enxergar que mudanças só são possíveis pela liberdade que dermos a Deus para Ele mexer em nós; e que depois que demos o “SIM” no altar, chegou mesmo a hora de mudar! Um casamento cristão é assim! O mundo que aprenda com ele!

 

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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