Porque o prazer sexual não pode ser egoísta

O matrimônio cristão ficou démodé “porque o egoísmo humano separou o prazer sexual de todos os outros prazeres do amor”, levando a alma ao vício de tentar extrair do sexo um prazer que ele sozinho não é capaz de recompensá-la, segundo C.S. Lewis

Sexo não pode ser egoísta-4O sexo nunca foi criado simplesmente por causa do prazer! Pelo contrário, o prazer foi adicionado ao sexo para garantir o mínimo de chance para a sobrevivência da espécie humana, e mais ainda, para dar à mulher o mínimo de segurança em sua presença no mundo. Expliquemos isso passo a passo.

O plano era que a humanidade se multiplicasse ao máximo, dentro da proposta de autorreprodução enquanto espécie, porque todas as espécies mais antigas que a Humanidade (como as hostes de anjos e querubins, por exemplo) não se reproduziam, e dependiam sempre da própria vontade criativa de Deus para ocuparem todo o vasto universo de suas corporeidades translúcidas.

Então, desejando mudar as coisas e introduzindo a novidade de seres inferiores terem também Livre-arbítrio e, mesmo sendo feitos de matéria frágil, seriam ao mesmo tempo capazes de dialogar com Deus por receberem também uma inteligência angelical, Deus fez surgir uma espécie inferior em tudo, mas capaz de reproduzir-se a si mesma, coisa que parece ter enciumado, invejado ou irritado anjos.

Eletromasoquismo Tendo o Livre-arbítrio ensejado, por sua própria e óbvia condição, o perigo de uma contradição no meio de todas as espécies, uma queda no pecado certamente iria mudar tudo, e assim o próprio plano da automultiplicação poderia ficar prejudicado, dependendo da reação livre dos seres então caídos. E o risco de abusos e violências oriundos de desacordos entre vontades livres poderia até encaminhar uma extinção da Humanidade, uma vez que a vingança contra um semelhante ficaria bem provável a partir do ódio que um desacordo provocaria, quando a multiplicação do ódio poderia eliminar todos os seres da raça humana, feita de carne frágil e fadada à destruição e à morte.

Este seria o resultado mais provável e direto de um mau funcionamento do Livre-arbítrio, e o fim das criaturas físicas poderia ser precipitado, prejudicando todo o aprendizado planejado para a vida em terceira dimensão, onde a matéria ensejaria gestos de carinho, toques e gentilezas concretas, que seres etéreos não experimentariam.

E foi justamente isto que a Queda trouxe. E teria sido um desastre muito maior se Deus jamais tivesse adicionado o prazer ao ato sexual, pois se experimentando tão grande gozo os homens já eliminam tantas mulheres, o que restaria delas se o sexo não fosse aprazível?Direito de procriar e de gozar1Entretanto e a rigor, somente uma elucubração em torno do valor salvífico do sexo poderia evidenciar o seu caráter acessório, pois raríssimos homens se interessariam por uma mulher tão somente porque quisessem ter filhos! Ou 98% dos homens dão ao prazer sexual um lugar tão elevado que nem chegam a prever a sua prole, o que explica que pelo menos 92% dos homens jamais pensavam em ter filhos na hora em que lhes veio o desejo de ter relações sexuais.

Assim sendo, e bem enfocado o caráter acessório do prazer dentro do grande plano da sobrevivência da espécie, Deus inventou o prazer da união sexual do homem e da mulher para assegurar que pelo menos assim a reprodução da espécie estava garantida, ou pelo menos antes de a Ciência descobrir um modo de procriar sem copular, como acontece hoje em dia. Porém, o prazer existe e persiste entre homens e mulheres, e eles agora transam apenas pelo prazer, e a reprodução da espécie quase não é levada em conta quando o desejo sexual aparece, e poucos casais querem gerar filhos, e quando geram, geram poucos.

Mas não foi este o quadro que Deus desenhou para a criação da Humanidade. Para Deus, nem o homem nem a mulher o trairiam, e assim, sem a Queda, o prazer seria um presente devido e derivado do extremo amor que casais sem pecado nutririam um pelo outro, e Deus fazia questão de vê-los felizes na cama e na procriação. Mas após a Queda, o prazer sexual passou a ser apenas um acessório providencial para garantir a reprodução, embora não garantisse a segurança física da mulher, sobretudo quando longos anos de estímulo ao vício sexual iriam desequilibrar tanto a inteligência que levaria os machos a estuprarem e matarem mulheres.Sexo não pode ser egoísta-8

Então, como ficaram as coisas no tempo atual? Ora, com todos os longos anos de propaganda erotizante na mídia de massas e com a viciação subsequente no desejo sexual desregrado, a Humanidade passou a encarar o sexo como algo a ser buscado em si mesmo, abstraindo-o de um compromisso com a procriação, e sem este, nada de compromisso de casamento. Foi como se todos os prazeres que Deus inventou para glorificar a união a dois (e o casamento-a-três entre o homem, a mulher e Deus) tivessem perdido todo o seu valor, seja em nome das dificuldades financeiras dos casais – se são pobres –, seja em nome das dificuldades de convivência, se são ricos ou bicudos de todas as classes sociais, pois dois bicudos nunca se beijam!

Logo, expõe-se à luz do meio-dia a verdade de que o prazer sexual não pode ser egoísta, porque Deus não o fez para si mesmo, e sim para o casal, e para um casal que quer, com ele, contribuir com Deus enchendo o Céu de novas almas! Também óbvio, é que, o matrimônio cristão ficou démodé porque o egoísmo humano separou o prazer sexual de todos os outros prazeres do amor, levando a alma ao vício de tentar extrair do sexo um prazer que ele sozinho não é capaz recompensá-la. Se alguém consegue todo o prazer sexual sem casar e sem procriar, para que casar, afinal? Eis aí o fim de uma história triste, ou o fim da História Geral do Matrimônio que foi criado somente para ter final feliz!

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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