Por que CS Lewis chamou o divórcio de cirurgia impossível?

Numa visão estarrecedora dos efeitos do pecado na vida conjugal, a separação de Angelina Jolie e Brad Pitt mostram com clareza o tamanho da desgraça que a Queda trouxe para a convivência homem/mulher, e ainda dá o que falar para o futuro de todos os casais…

A solidão incômoda sentida por Adão meses e meses antes da criação de Eva oferece um ponto de observação bastante elucidativo e pedagógico, e percorre toda a história humana até iluminar, com luzes puras e honestas, o cotidiano de todos os casais de mundo na era pós-moderna. Uma análise isenta e sem “pré-conceitos” pode ensejar uma ciência sadia acerca da vida conjugal e facilitar que as aproximações entre os sexos culmine em resultados melhores ou não desastrosos para todos aqueles que desejam e precisam de vida a dois.

O escritor irlandês CS Lewis, nosso mestre emérito incondicional, certa vez explicou que a separação de vidas, seja ela uma mera ruptura de amizade até um conflito armado, estava completamente fora dos planos do Criador, cuja vontade e planejamento incluiu resolutamente a glória de uniões estáveis e duradouras (leia-se eternas) para todas as almas que se aproximassem umas das outras, seja nesta vida física ou na espiritual. Um menino faria uma viagem até uma aldeia próxima e ali conheceria um outro menino também “viajante” e a partir dali, nasceria uma amizade para a vida toda. Um menino também poderia encontrar uma menina curiosa que gostava de descobrir “casas de mau agouro” e ali iniciar uma amizade que vencia todos os medos e duraria para sempre. Melhor: a regra que servia para os meninos e meninas também regia a vida dos adultos e dos idosos, numa terra distante onde ninguém virava inimigo de ninguém e onde nenhuma relação seria interrompida, e onde todas as lágrimas eram de alegria, seja nas chegadas ou nas “despedidas”…

Era este o mundo desejado e planejado por Deus e que sem dúvida impera em seu Reino celestial, onde nenhum de nós, salvo se chegar à santificação, merece morar, sob risco de fazer nascer a diabólica “raiz de desunião” que caracteriza com pleno realismo o cotidiano do inferno. Pior: é esta triste realidade que o nosso mundo atual está apresentando, em cores vivas, aos nossos olhos, e ninguém, profissional algum (seja psicólogo, terapeuta, sociólogo, pedagogo e até ministro religioso) está conseguindo solucionar ou pelo menos atenuar, na inexorabilidade dos conflitos de opinião e de vontade permitidos pelo Livre-arbítrio perpétuo outorgado por Deus.

Os exemplos são numerosos ou incontáveis, e as estatísticas dão arrepios e até “vergonha” a cada um de nós, quando temos humildade para um olhar interior e vemos o quanto somos irascíveis ou iracundos, teimosos, brigões, enfatuados, opiniosos, arrogantes, dominadores, egocentristas, irritantes, desagregadores e, quando conseguimos ver que a rigor possuímos toda sorte de “antipatias sociais”, como se fôssemos cães raivosos cujo único prazer é curtir a solidão do silêncio e da opinião única (uma espécie de “auto ditadura”).

Neste reino de reis auto eleitos e egolátricos de plantão, de fato não sobraria nenhum espaço para uniões alegres e estáveis, e todos os prazeres do planeta fugiriam por entre os dedos e com eles escaparia toda forma possível de felicidade; porquanto o Criador construiu todas as almas para serem felizes EM SOCIEDADE, como bondosos animais gregários e familiares, fiéis e leais, formando um ambiente de eterna bem aventurança.

Alguns exemplos recentes nos fazem ver a dureza e tristeza da realidade atual da beligerância subsistente entre as almas, e vamos nos ater aqui tão somente a exemplos extraídos da Mídia e em relação às relações conjugais, para tentarmos enxergar por que CS Lewis chamou uma separação de “cirurgia impossível”. Lembremos, entretanto e a princípio de conversa, que todos os conflitos começam no campo da comunicação, e é na opinião de cada um que reside o gérmen diabólico de todas as brigas e intrigas, e é preciso manter-se 100% “isento de emoções precipitadas” (100% cabeça-fria) para poder ter abertura mental e enxergar a raiz de todos os tipos de separações.

O exemplo mais triste e chocante de todos é, a nosso ver, o recente caso do divórcio entre Angelina Jolie e Brad Pitt, que a Mídia abordou em abundância igualmente triste, muitas vezes desnudando feridas dilacerantes da intimidade do casal, que a rigor jamais deveriam chegar ao grande público. De qualquer modo, o conhecimento de tais feridas enseja uma visão mais detalhada da frase de Lewis e expõe o onde e o porquê de tal separação constituir uma cirurgia impossível para com a vontade de Deus.

O problema é que a liberdade total só é possível em relação a almas puras e humildes, com as quais todas as diferenças são relevadas ou tratadas com tanto amor que nem sequer se parecem diferenças, ou se parecem com meras “brincadeiras de meninos” ou jogos pueris, e cada parte recebe a outra como uma agradável contribuição ao prazer da convivência, sem a qual haveria um lamentável decréscimo ao bem comum e à felicidade geral. Porém num mundo decaído, onde o próprio coração – órgão da felicidade – foi golpeado de morte pela presunção de superioridade, a liberdade de uns termina onde começa a do outro, ou seja, incomoda mais do que agrada. E aí a opinião não encontra mais ouvidos dóceis em qualquer assunto, e o consenso de todos os espíritos foi extinto.

Quando o primeiro casal pecou, Deus, por seu infinito amor, ao invés de desobedecer à própria Lei da Liberdade por Ele outorgada, manteve-a intacta e foi isso que criou o campo para a eterna discordância de opiniões, passando a salvação a depender da convivência harmônica dos contrários. Até a hierarquia, único remédio para a convivência em ambientes decaídos, passou a periclitar em toda a Terra, e até mesmo uma ordem expressa pode ser desobedecida pela teimosia e burrice, e por isso o Senhor precisou sacrificar sua própria vida para nos dar exemplo e chamar de volta à Razão.

O outro caso emblemático de separações dolorosas destes últimos anos se deu com o casal William Bonner e Fátima Bernardes, e a Mídia não poupou ninguém das notícias da intimidade do casal, que jamais deveriam vazar. A dor e a infelicidade vividas por um casal até então “exemplar” no meio artístico levaram Fátima a afirmar que “casamento e prisão são a mesma coisa”, o que expõe com letras garrafais a realidade do fracasso interior, ou a desventura de uma alma que se decepcionou ao ponto de desabafar sua própria desintegração. Obviamente que tal declaração, sobretudo vindo de uma artista “Global”, de uma multinacional de Comunicação a serviço da imoralidade dos demônios, pode estar querendo dizer justamente o contrário do que Lewis imaginou como “dor profunda”, ‘ferida sangrenta’, “cirurgia impossível”, ‘trauma desumano’, enfim, pode ser coisa muito pior do que isso.

Pode ser que Fátima estivesse querendo dizer que “os moldes ANTIGOS do casamento são uma desgraça insuportável, e por isso as pessoas deveriam optar por não casar e viver a sua sexualidade de maneira livre e sem regras”. Então a “prisão” é apenas o matrimônio cristão, ou aquilo que esta Agência chama de “Casamento-a-Três”: por que não? Por que o matrimônio não seria uma prisão, já que “obriga” as almas a tolherem a liberdade irresponsável desejada por seus instintos?

De qualquer modo, a lição que fica (mais que o amor que fica) é a de que a cirurgia impossível constitui uma operação profunda numa região da alma em que nem o bisturi de Deus pode entrar, tal como podem nascer tumores cancerosos numa região do encéfalo onde nenhum cirurgião consegue alcançar, nem mesmo com raios laser, sem matar uma função vital do cérebro do paciente. Então, após o nascimento do câncer (uma ofensa imperdoável ou coisa pior), separar almas que se amam ou que juraram amor perante o altar é uma violência sem medida, porque no fundo elas jamais gostariam de perder uma à outra, e assim se obrigam a odiar sua própria decisão de amar!

Eis porque a Bíblia diz que o homem não separe o que Deus uniu, não porque Deus seja mau e deseja ver para sempre juntas – aprisionadas uma à outra com correntes infernais – almas que vivem brigando e se matando todo dia, trocando o amor que prometeram pelo ódio que exorcizaram. Nada disso. Na verdade Deus também acreditou nelas, no sentido de olhar para elas não com sua visão antecipatória, mas pelo otimismo de quem sofreria junto, sofreria por inteiro, sofreria muito mais, tal como um pai sofre muito mais do que os filhos quando vê dois deles romperem amizade e se odiarem para sempre. Está aqui a dor profunda! Está aqui a lança atravessando o coração de Maria! Está aqui o sofrimento que nem Deus suporta. Livra-nos Deus de passarmos por uma cirurgia dessas!

 

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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