O mecanismo extra físico do tesão masculino

Na inescapável constatação da desintegração anímica do ser humano pelo pecado original, uma realidade ressalta aos olhos na mais profunda intimidade do macho: sua virilidade só se mantém viva por causa da misericórdia de Deus (ou seja, a potência sexual masculina depende da onipotência de Deus)

Parece fantasiosa e mirabolante, por um lado, e por outro, parece ridícula ou patética a ideia de que a potência sexual masculina, que desperta tão fácil e instantânea como num mecanismo automático, seja algo tão complicado que faça páreo com “o complicômetro da mente feminina”, conforme se diz no ideário coletivo da modernidade. Este artigo se propõe a informar e discutir esta questão, assumindo as vezes de um especialista em virilidade masculina, conquanto não passe de um bacharel na experiência da vida, na teologia cristã e na escatologia da alma humana.

Com efeito, a experiência e a teologia serão as duas vigas mestras a sustentar as afirmações do presente artigo, e por isso mesmo o recurso à escatologia e à ontologia humana, segundo o que se pode deduzir do Cristianismo mais profundo de CS Lewis, serão a tônica pontual e insistente no corolário das respostas oferecidas. Noutras palavras, e justamente por ter essa base, a matéria não se mostrará de fácil compreensão ou simples apreensão, e o leitor será convidado a um esforço de atenção e grande humildade para adentrar o argumento sem os “pré conceitos” comuns da mídia de massas.

Isto posto, mesmo quando as Escrituras Sagradas tentam descrever o início da criação da Terra, a ideia da simplicidade logo cedo vai perdendo força, e alguns versículos à frente o “Complicômetro Geral da Criação” (doravante CGC) vai se impondo feito onda de tsunami, e depois de algum tempo já nem restará mais sinal algum de que houve qualquer coisa simples no princípio de tudo. O próprio fato de o limiar da Criação ter se dado por uma vontade livre e amorosa do Criador, que utilizou dois sistemas de consecução de sua vontade 100% benevolente (o criacionismo e o evolucionismo, sendo os dois executados em três níveis, matéria, mente e espírito), já permite entrever o quanto o assunto do presente artigo será complexo e espinhoso, para não dizer “incapaz de alcançar utilidade prática” para a maioria dos leitores.

Pois bem. O ser humano foi criado à imagem e semelhança de seu Criador, embora isto nada tenha a ver com um suposto mecanismo na ontologia divina com o qual o próprio Deus eterno tenha “evoluído”, pois, além de ser o Incriado, Ele também de nada necessitaria, e por isso, obviamente, não há sentido algum em imaginar “Deus evoluindo”. Mas conosco esta regra não combina.

Fomos feitos livres mas imperfeitos, como qualquer ser seria se o Criador quisesse criar algum ser vivo que não fosse Ele mesmo. Mas o Amor infinito do coração de Deus, justamente antevendo essa condição inexorável, planejou nos criar imperfeitos, mas em “eterna aproximação da perfeição”, e isto é o sinônimo perfeito da evolução por Ele desejada.

O problema foi que, logo nos primeiros “dias ou anos” da criação, e usando de toda a nossa liberdade, nós humanos resolvemos COMPLICAR ainda mais as coisas, cometendo a loucura de nos desviar da única fonte que jorrava o combustível próprio da alma humana, a saber, o amor do coração de Deus. E aqui as coisas começaram a ficar pretas, tanto fora quanto DENTRO de nós. O carne, a mente e a alma humanas, agora embaraçadas pela desordem configurada pela pseudo liberdade da desobediência, perderam também toda a harmonia interior, e passaram a sobreviver às custas do sacrifício de uns sobre os outros, todos inseguros na ignorância e infelizes na saciedade.

O desequilíbrio multidimensional virou o rei e a lei, e aquilo que os olhos conseguem ver como desequilíbrios na matéria e nos corpos, não passam da “ponta do iceberg” no grande desequilíbrio psíquico espiritual da alma humana. Depois do colossal estrago produzido pela trágica decisão edênica, nunca mais se encontrou na Terra qualquer ser vivo “equilibrado”, no sentido que interessa a Deus e à saúde das almas, e a realidade trazia apenas indivíduos instáveis, hesitantes, temerosos e temerários diante de qualquer decisão, deixando sempre os rastros de uma mente fendida e uma guerra interior, com inimigos fora e dentro de cada personalidade.

Deus precisou então mudar toda a expectativa de seu trabalho criacional na “creação terrestre”, e Ele mesmo teve que administrar os efeitos e as sequelas da desgraçada decisão adâmica, visando impedir ou atenuar o estrago maior do dano consciencial. Então foi providenciada a permanência das almas na superfície da Terra, subsistindo no mesmo corpo humanoide dos primatas superiores que alcançaram o limite da evolução corpórea, e sem nenhum impedimento ao reconhecimento da Lei do Certo e do Errado nos corações decaídos. Com tal decisão tomada, e com a manutenção da lucidez consciencial para detectar o certo e o errado, o Senhor permitiu que o prazer sexual (embora bastante inferiorizado em comparação com o prazer sexual de Adão e Eva ANTES da desobediência) continuasse a ser “um poderoso atrativo da felicidade eterna”, fazendo compensar todos os sofrimentos que uma vida em rebeldia iria ensejar aos rebeldes.

Noutras palavras, mesmo uma pessoa que tivesse recebido na vida física um número elevado de cruzes pesadas para carregar, essa pessoa ainda assim acharia que valia a pena viver, enquanto vivenciasse e lembrasse o paraíso escondido em cada orgasmo sexual. Tudo isso, corpo frágil, alma insegura e mente desequilibrada, sobreviveriam com o combustível do orgasmo, que Deus entendeu como uma felicidade reduzida (em comparação com a felicidade perdida) mas capaz de evitar as indisposições de ânimo e as depressões da tristeza, que são as piores armas a serviço da descrença e da perversão.

Todavia e contudo, nada disso estava garantindo que, embora houvesse a possibilidade do gozo (ínfimo) do orgasmo terrestre, as mentes estivessem sadias e as almas em equilíbrio, e por isso o Senhor ainda tinha que trabalhar “nos bastidores”, ou seja, operar tanto pequeninos quanto grandes milagres em cada ser, tanto fora quanto dentro de cada cérebro, visando garantir que o mínimo de “recompensa” prazerosa se mantivesse mesmo numa vida dura, ou em pobreza.

E assim os intermináveis e infinitesimais milagres de cirurgias providenciais viraram o carro chefe do laboratório de Deus, e cada ser humano passou a estar vivo na carne tão somente por uma constante e incansável urdidura secreta, da qual dependia não apenas a saúde consciencial do indivíduo, mas também a proteção anímica do Livre-arbítrio e até a saúde física, cuja segurança depende de tantas variáveis que médico algum deveria opinar sobre qualquer doença, mesmo em relação ao dia seguinte da consulta do paciente.

Para o leitor ter uma ideia aproximada de tudo isso, segue um breve resumo do emaranhado de funções sadias necessárias para o funcionamento da virilidade masculina, para fundamentar o final do argumento deste artigo, cujo nome (“o mecanismo extra físico do tesão masculino”) forçosamente constitui uma síntese máxima do argumento, não apenas para adequar-se a um título público, mas também porque os demais mecanismos – o físico e o mental – quase todo mundo conhece, e a menção deles talvez fizesse o artigo parecer coisa comum, chula, ou mera banalidade…

Funções sadias necessárias ao êxito da virilidade masculina (Texto técnico integral):

[Abre aspas] O estado de flacidez peniana é mantido ativamente pela ação tônica de nervos simpáticos. Durante esse estado, a musculatura lisa das trabéculas penianas e das artérias cavernosas se mantém em contração permanente.

Após um estímulo, a musculatura lisa das artérias helicinais cavernosas relaxam, aumentando o fluxo sangüíneo para os espaços lacunares. Ocorre simultaneamente o relaxamento da musculatura lisa trabecular, levando à dilatação dos espaços sinusoidais e consequentemente engurgitamento do pênis. O aumento progressivo da pressão no espaço trabecular comprime o plexo venoso subalbugíneo, reduz a drenagem venosa cavernosa e eleva a pressão intracavernosa a níveis ainda maiores, promovendo rigidez peniana.

O principal regulador do processo é o sistema nervoso autônomo. A contração tônica produzida pela noradrenalina impede a ereção, enquanto a liberação de acetilcolina vai causar os principais eventos neurovasculares da ereção, principalmente através da liberação de óxido nítrico (NO).

O óxido nítrico promove a ereção através do relaxamento da musculatura lisa principalmente dos corpos cavernosos. Seu mecanismo de ação consiste na ativação da adenilato ciclase, provocando, assim, o aumento do GMPc, intracelular, que através de cascatas bioquímicas promove o relaxamento do músculo liso. O NO é sintetizado a partir da L-arginina pela enzima óxido nítrico sintase (NOS). A NOS existe sob a forma constitutiva e induzível. Condições teciduais locais, incluindo hipóxia e condições ácido-básicas extremas, ou outras deformações mecânicas podem levar à disfunção erétil pela regulação defeituosa de NOS.

Vários mediadores NANC (como o VIP) da ereção agem através da via do óxido nítrico. Há ainda mensageiros secundários que podem atuar na ereção peniana. A angiotensina II é produzida a nível de células endoteliais e musculares dos corpos cavernosos. Possui efeito parácrino e é liberada sob estímulo adrenérgico, atuando na promoção da flacidez peniana. Receptores de histamina (principalmente H1), promovem vasoconstrição cavernosa.

A ereção peniana é uma das mais importantes respostas sexuais em mamíferos, incluindo o homem e sua integridade é essencial para o sucesso da reprodução. Entretanto, esta resposta sexual não é observada apenas durante o intercurso sexual, mas também em outras situações, tais como a simples manipulação da genitália, durante o sono ou fantasias eróticas em homens. Dependendo do contexto particular em que a ereção peniana ocorre, diferentes mecanismos neurais e/ou endócrinas podem participar dessa regulação. Desse modo, a ereção peniana é uma resposta fisiológica dependente da integração de mecanismos psicológicos, vasculares, endócrinos, neurológicos e miogênicos desencadeados por resposta reflexa ou estímulo psicogênico de origem central.

O conhecido estudo “OLMSTED conty Study”, realizado em 1995 no município norte americano de Olmstead, entrevistou 2.115 homens entre 40 e 79 anos de idade. Na faixa de 70 a 79 anos, 30% deles referiam diminuição de função sexual, enquanto entre os 40 e 49 anos somente 10% apresentam a prevalência desse problema em nosso meio, porém sabe-se que ela também é alta, sendo estimado que na América Latina aproximadamente 10 milhões de homens necessitam de tratamento para disfunção erétil. Em vista dessa magnitude, fica claro que o conhecimento dos mecanismos envolvidos no processo da ereção são essenciais na elaboração de terapias cada vez mais eficientes.

O presente trabalho tem como objetivo enfocar os principais mecanismos envolvidos na ereção. Um maior destaque é dado à atuação do sistema nervoso autônomo e aos mediadores não adrenérgicos não colinégicos destacando-se o papel do óxido nítrico, que por excelência é o principal mediador envolvido na fisiologia da ereção. [Fecha aspas].

Funções extra físicas necessárias ao êxito da virilidade masculina:

Além de todo esse conjunto de elementos químicos em perfeito funcionamento na infra estrutura da saúde da virilidade, e sem esquecer a plena saúde mental (no sentido fisiológico do cérebro) e psíquica necessárias, há ainda outras realidades que entram na condição final de saúde para a ereção ocorrer, dentre as quais está até mesmo uma “ação consentida de Deus” na finalidade do desejo, pela qual tanto podem orar homens benignos (esposos bem casados) quanto homens malignos, solteiros degenerados e estupradores enrustidos (O StudioJVS publicou um vídeo elucidativo a respeito – Confira AQUI).

Isto posto e com efeito, longe de conter o significado simplório da ereção pelo macharal medíocre da espécie humana, a ereção completa, a nível da realidade mais profunda da saúde holística do Homem, envolve ainda uma série de “operações” sutis, grandiosas no seu efeito e minúsculas na sua detecção, das quais a quase totalidade dos homens sequer desconfia, e pelas quais Deus vai agindo no sigilo da sua santa humildade, concedendo ao homem (mesmo ao pecador mais imerecido) a bênção e a felicidade do sexo, numa operação constante de pequenos milagres em toda a fisiologia da virilidade.

Pior: poucas descrições práticas podem ser dadas neste mister, e aqui talvez só consigamos elencar duas ou três delas. Vejamos:

(1) O desejo sexual (no homem mentalmente sadio) geralmente nasce DA VISÃO da nudez feminina, mas esta visão só é também sadia quando a mente e o espírito funcionam corretamente, e a ereção decorrente ocorre se a fêmea estiver igualmente desejosa do sexo (sem inventar desejos em si ou no cônjuge) e o tiver demonstrado antecipadamente;

(2) O desejo sexual (tanto quanto “sadio”), que é a ferramenta prioritária na construção da ereção, deve resultar em uma preparação da mente para a cópula, e por isso esta deve geralmente associar uma espécie de “imaginação sexual” (o que os sexólogos chamam de fantasia erótica) que culminará finalmente na ereção; esta preparação da mente depende da mulher estar de fato desejosa de sexo, sem que seu esposo a tenha induzido a isso por nenhum meio;

(3) A ereção em si não se completará sem que o próprio espírito do macho (o esposo fiel) não esteja 100% afinado com a missão precípua do matrimônio, a qual se reduz à procriação e à felicidade do casal cristão; a ereção completa, portanto, só acontece por uma perfeita harmonia entre o espírito do Homem e o Espírito de Deus, o qual opera secretamente na plenitude da saúde holística do Homem, “fazendo os fluidos fluírem fluentemente” pelas vias corretas e as energias vitais ao processo tocarem nos pontos-chaves de cada ‘nervo estimulador’. E isto tudo é um resumo reduzidíssimo do processo.

“O resumo da ópera” é o seguinte: O homem se casa e passa a dormir com uma mulher. Então vê sua mulher nua e isso desperta o seu desejo. Este desejo lhe desperta uma fantasia erótica, onde o prazer de uma penetração íntima, à semelhança do amor da Santíssima Trindade, desabrocha e estimula seu cérebro. Dentro deste, a visão da nudez atiçou a sensibilidade de seus nervos e micro nervos, que por sua vez descarregam infinitas ‘cintilações’ de prazer via descarga de dopamina. Com a excitação dos nervos, descargas elétricas via medula espinhal levam uma mensagem aparentemente paradoxal ao pênis (relaxamento e excitação). Com a chegada dos impulsos elétricos ao pênis, as veias e os corpos cavernosos se dilatam e o sangue corre para lá, enrijecendo o pênis. Após enrijecido e friccionado via penetração, a excitação chega ao clímax e este clímax estimula os canais seminíferos a expulsarem o sêmen do orgasmo, finalizando o ato. Mas isto não foi tudo: para que todos esses micro movimentos se conjugassem para seus fins específicos, o espírito do homem (energia consciencial não é um bom sinônimo) trabalhou junto com o Espírito divino, o qual operou uma série de micro milagres na alma apaixonada do esposo, como a preparação do encéfalo, a sustentação do desejo, a excitação prazerosa e a manutenção do sangue até finalizar a última gota da ejaculação. Uma verdadeira “parceria” pelo prazer ocorreu, tudo porque Deus sabe o que é a felicidade por Ele planejada para nós, com o objetivo precípuo de evocar nossa memória para uma estranha “saudade do futuro”…

Finalmente, e não satisfeito com a pobreza inexorável da linguagem humana, somos forçados a uma conclusão inconclusiva, dada a enorme possibilidade desta descrição não conter todo o conjunto de “sistemas” necessários à ereção masculina (que sempre parece tão simples ao Homem, conquanto vista geralmente pela ignorância médica/psíquica/espiritual do macho comum), a qual segue exitosa tão somente em função da misericórdia de Deus, que concede saúde instintiva a cada homem sobre a face da Terra, pensando Ele, em último caso, garantir a vida para um maior número de almas e também um mínimo de felicidade num planeta tão “depressivo”, a qual evoca a doce lembrança do paraíso perdido, escondido no gozo dos amores terrestres.

 

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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