Não existe perdão algum SEM arrependimento, nem em Deus

Ao autorizar padres a perdoar mulheres católicas arrependidas por fazer aborto, o Papa Francisco traz de volta a doutrina do pecado, a qual impõe a justa contrapartida do arrependimento como condição sine qua para o perdão, mesmo para o perdão divino.

Maria Madalena e os juízes da Lei2E o mundo tem errado bastante neste mister: a pós-modernidade tresloucada abandonou de tal forma a Moralidade que nunca expressa uma condenação ao pecado, sobretudo se ele for de ordem sexual, pois para ela não há nada de errado na sexualidade, exceto na pedofilia e noutras doenças, antes que “repense” sobre elas e deixe de condená-las também, como parece evidenciado NESTA entrevista chocante.

Mas o exemplo número um desta realidade é o Caso Bíblico de Maria Madalena. Nunca esta sociedade atual observa Madalena e aponta para o seu pecado, acentuando apenas o fato de que o próprio Jesus não a condenou, ou seja, aponta apenas para uma meia-verdade. E, a rigor, parar por aqui seria diplomático, polido e até bem ponderado, porquanto condenar uma jovem bonita que simplesmente não resistiu aos seus instintos sexuais – a carne é fraca, o próprio Cristo reconheceu isso – e atirou-se aos braços de um cara tesudo que fez de tudo para dar-lhe momentos de prazer, enfim, que mal há nisso? É assim que esta sociedade hedonista raciocina, e nada além disso.

Porém a Humanidade inteira esqueceu-se de que cada ser humano que a compõe não constitui um ser material que contém em si uma alma, mas sim, que é um ser espiritual inserido num corpo físico, e este é tão frágil e efêmero que às vezes não ultrapassa a primeira infância e já bateu as botas com a primeira infecção que seu corpinho contraiu.

Crucificado na chuva1E sendo assim, afastada toda ignorância acerca da infraestrutura interior do ser humano, e com plena consciência de que somos uma alma revestida de carne, o mais lógico para caracterizar o animal racional que nós somos é resolver a pendência cósmica que contraímos com o nosso Criador, chefe e proprietário exclusivo de nossa vida, pois, além de ter sobre nós todo direito criacional, Ele também pagou por nós um preço elevadíssimo, sofrendo a morte e morte de cruz, sem merecer quaisquer dos sofrimentos que os nossos pecados O infligiram ao longo de todas as “estações” da chamada Via Sacra!

Com efeito, se tivermos o juízo perfeito e saúde cerebral, o mais lógico seria buscar primeiro o Reino de Deus e deixar tudo o mais pra depois, porque nada nos cobrará satisfação mais pesada e mais dolorosa do que nossa própria rebeldia à vontade de nosso Dono. Buscar primeiro o Reino de Deus é se resolver com Ele, ou fazer as pazes com Ele, garantindo um advogado de respeito (I João 2,1) para nos livrar das penas merecidas por nossa infidelidade. É isso que está escrito e é isso que se cumprirá…

Tratar pecados cometidos como atos esporádicos é outro erro catastrófico, derivado da ignorância de enxergar apenas o perdão de Deus a nosso favor, como no caso de Maria Madalena, onde todo mundo aponta apenas a palavra de Jesus quando Ele disse “nem eu tampouco te condeno”. Agir deste modo é tentar enrolar Deus, ou imaginar um Deus-cego, que não enxerga o caráter pegajoso dos pecados e por isso a Teologia Cristã os chama de “vícios”. E é aqui que a porca torce o rabo.

Vício com o FacebookSe cada pecado cometido constitui um vício (seja no início, no meio ou no fim da dependência de nossa psique a ele), então não pode haver perdão algum, a não ser que haja arrependimento genuíno, com provas cabais de abandono da prática viciosa. E aqui está a explicação da palavra posterior de Jesus, perfazendo o sentido da sentença completa dada à Madalena: “Nem eu tampouco te condeno, mas vai e não peques mais!”. Esta é a parte sempre omitida por esta sociedade hedonista, que quer de qualquer jeito uma brecha para viver a vida na luxúria, como se Deus aprovasse qualquer coisa que fizermos, se o fizermos pela “fraqueza” da carne. Eis a grande tragédia humana expressa para qualquer visão, seja ela teísta ou ateísta, já que nem mesmo os ateus tolerariam viver num mundo onde tudo fosse permitido, inclusive adultos transarem com crianças.

Papa Francisco repreendePor tudo isso o Papa Francisco correu a exorcizar a ignorância geral acerca do perdão de Deus, com toda a diplomacia de que é possuidor, e aproveitou o momento para “atualizar” a doutrina (atualizar entre aspas), pois nada mudou na Moral Cristã desde que Cristo andou entre nós! O ensejo procurado pelo Papa – e muito bem escolhido – foi o do aborto de mães católicas, frisando bem que seu perdão só poderia ser dado com o genuíno arrependimento pelo crime praticado, o qual tipifica um pecado mortal para seu praticante. Confira a palavra do Papa NESTE link e veja a sua coerência.

Perdoar quem não mereceE há outras regras subentendidas: é preciso que sejam mães católicas, casadas no civil e na Igreja, com gravidez conseguida de seu próprio marido, e com motivos emergenciais para terem praticado tal crime (tais como: a impossibilidade de cuidar da criança, uma doença grave – na mãe ou no bebê –, um estupro omitido ao marido, etc.). Mas cuidado! Nada disso permite ou libera o aborto! O Papa os registrou justamente para mostrar o quanto o perdão do aborto é difícil, mesmo quando realizado nas mais “justas” condições, porque NADA justifica o aborto!

Finalmente, enquanto a sociedade estiver sob a égide de um tutor usurpador, maligno e invisível, e continuar enganada na questão dos direitos da Mulher, o aborto continuará sendo um crime bastante dominante nas estatísticas de assassinatos deste mundo, e milhares de mães estarão condenadas por seu pecado mortal e sem possibilidade de perdão (I João 5,16). Mas pior mesmo é a sociedade rebelde, que propaga a mentira de que Deus perdoa quem peca sem arrependimento: aqui está a desgraça, filha direta do pai da mentira, que fez todo mundo acreditar que podia comer a maçã e nada aconteceria! Deu no que deu.

 

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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