Erro catastrófico da Igreja em condenar apenas o homossexualismo “prático”

Num flagrante equívoco teológico na condenação ao homossexualismo prático, a Igreja Católica deixa de lado propositalmente as demais instruções bíblicas acerca de toda a sexualidade humana, certamente visando apenas crescer em popularidade…

Qualquer analista cristão da sexualidade humana sabe que as regras dadas pela Revelação neste mister são rígidas e aparentemente impiedosas, sem que se encontre na letra das Escrituras a mínima condescendência para com tudo aquilo que esta geração chamou de “liberdade corporal” (leia-se, liberdade total para com o próprio corpo), a começar pela própria definição de corpo, que passa longe da ideia popular de “um ser de carne e osso com emoções, instintos e intelecto”. Denunciando até mesmo a propriedade privada do corpo como pertencente a Cristo (que o teria comprado com o preço de seu próprio sangue), a Bíblia não deixa margem ou brecha alguma para a maioria – 98,2% – das práticas comuns da sexualidade, o que deixa este articulista bastante à vontade para escrever, já que o autor intelectual deste argumento seria o próprio Deus.

Isto posto, e sem a mínima condição de iniciar de modo diferente, este comentarista adianta-se célere para explicar que o presente artigo é dedicado apenas a heterossexuais cristãos, e não se limita a seguir rigorosamente a doutrina de nenhuma denominação eclesial legitimamente instituída, atrelando-se tão única e logicamente à Palavra de Deus, aqui tomada como soberana e independente da receptividade de todas as atuais lideranças religiosas.

Com efeito, para facilitar aos cristãos se situarem bem, dentro do contexto bíblico, iremos oferecer os trechos escriturísticos ilustrativos desta argumentação, partindo do seguinte princípio: Que Deus condena todo o homossexualismo em si, e não apenas uma parte dele, como se o juízo de Deus fosse duvidoso ou hesitante como os juízos humanos, e não aquele “sim, SIM, e não, NÃO”, que Jesus pediu para nortear a nossa própria palavra (Mateus 5,37), isto é, sem fazer bajulações ou “vista grossa” para nenhum vício camuflado de virtude.

A mais famosa vítima da Lei do Apedrejamento foi salva pela “sagacidade” de Jesus: “Mas vai e não peques mais!”…

A passagem da Escritura que melhor esclarece que espécie de vida Deus deseja que vivamos, sobretudo após nossa entrega a Jesus (fé e batismo), é aquela que o Filho de Deus sentencia para os apóstolos influenciados pelo Judaísmo, que aparentemente só condenava A PRÁTICA do adultério, e não a sua raiz psicológica. Para os judeus – todos os apóstolos eram judeus – uma mulher seria apedrejada quando flagrada ou denunciada em sexo extra marital, ou pré-marital, ou comercial (tudo isso sendo resumido pelo termo genérico “porneia”: relações sexuais ilícitas: sim, isso existe!), etc.

Então Jesus explicou o que Deus de fato quis dizer quando falou “não adulterarás”, que a Igreja Católica (ICAR) sabiamente traduziu por “não pecarás contra a castidade”, e a igreja protestante estranhamente não adotou, embora creia nisso. Não pecar contra a castidade, portanto, é muito mais abrangente e profundo, pois tanto “pecar” quanto “castidade” são expressões generalizantes, que englobam coisas que nossa hipocrisia e sem-vergonhice jamais citariam como exemplo, as quais no entanto são indisfarçáveis perante os olhos de Deus.

Logo, para Deus, uma mulher adultera não propriamente quando pratica ato sexual fora das leis do Matrimônio (e muito menos quando é flagrada fazendo sexo), mas quando seu coração, lá atrás no tempo e lá na profundidade de sua psique, desviou-se da vontade divina e da Lei da Santidade e decidiu, por livre e espontânea vontade, usar seu corpo fora da Lei e fora do tempo próprio do Matrimônio, explorando sua carne tão somente como objeto de prazer ou paixão louca. Tudo isso Jesus explicou (e o Evangelho resume perigosamente a uma só expressão, a saber) dizendo que se alguém olhar com intenção impura para outrem já cometeu adultério, o que aparentemente condena mais o olhar do que o pensar e o sentir! É óbvio que Jesus, conhecendo a ignorância dos seus contemporâneos, julgou por certo que apontar o pecado VISUAL como sinal de adultério concreto bastaria para a igreja primitiva – e a que viria depois dela – deduzir que o pecado era muito maior, sobretudo depois que a Psicologia moderna dissesse que o desejo é independente da visão, e o pensamento é até anterior a ela!

Estamos de olho!

Logo, Jesus inaugurou um tempo de pensamento mais elaborado (como cabe a seres que evoluem!) e confiou que a mente humana saberia ampliar aquilo que os olhos veem, e por isso deixou tudo resumido na expressão “aquele que olhar para uma mulher com intenção impura já adulterou com ela”. Se bem que, a rigor, ao dizer “com intenção impura”, Jesus também foi profundo e provou sua cátedra em Psicologia, pois certamente “o olhar somentenão faz verão, como o povo diz de uma andorinha só. “Olhar, a rigor, não tira pedaço” (como dizem as más línguas), e somente outra aula de Jesus iria mostrar que os olhos são a lâmpada do corpo, e que se nossos olhos estiverem em trevas, TODO o nosso corpo estará!” (Mateus 6,22-23). Na verdade é tão sério o pecado DOS OLHOS que o mesmo Jesus chegou até a pedir para que arrancássemos os olhos pecaminosos, para não corrermos o risco de ir para o inferno com olho e tudo! (Marcos 9,47).

Esta periculosidade dos olhos é que levou a Igreja a “entender” que homens e mulheres deveriam se vestir com decência, pois um corpo bem coberto não permitiria a visão do desejo e sem esta visão não haveria adultério! Eis aqui outra orientação cristã paralela, ou que pega carona no estudo da sexualidade, pois a modernidade já sepultou há séculos a relação da indecência das roupas com as taras humanas e seus crimes, como estupros e outras violações da intimidade alheia.

Enfim, agora com a visão mais clara e precisa da abrangência do pecado sexual, até agora tratado apenas entre heterossexuais, o que deveríamos deduzir do homossexualismo que a Igreja Católica não explicou, ou explicou apenas com intenção populista?… Veja que o erro clamoroso da ICAR em “separar as coisas” já está produzindo frutos no mundo inteiro e até nos Estados Unidos, país predominantemente protestante. Confira AQUI e pasme…

Ora, a Santa Sé parece ter entrado numa maré de populismo barato que agrada não a Deus, mas aos demônios, e com ela decidiu dar as mãos à mídia e apresentar-se como “mãe da imoralidade”, quando ela teria que ser, SEMPRE e rigorosamente, “mãe da santidade”, propondo esta muito além dos limites da permissividade hedonista, que é tão popular nas antecâmaras do inferno! Qualquer santo canonizado ou não, sabe que com o pecado não se brinca, e que para tratar com ele só usando todo o rigor bíblico para manter-se nos eixos da pureza de Deus! O rigor bíblico contra o pecado deveria e deve ser O NORTE ABSOLUTO nesta questão, e a Igreja jamais poderia, nem pensar nem de longe – nem de longe pensar – em qualquer movimento que sequer permitisse o Bem figurar no mesmo espaço do Mal, tal como no Reino do Céu não há nenhum espaço para a maldade, e para esta Deus construiu o inferno, bem longe dali!

O rigor bíblico chega a ser até drástico e hiperbólico, por assim dizer, pois recomenda coisas tão antipáticas como: (1) “Afastai-vos até da roupa contaminada pela carne” (Judas 23); (2) “Afastai-vos até da aparência do mal” (I Tessalonicenses 5,22); (3) “Se alguém não lhes trouxer esta doutrina, nem lhe deis boas vindas!” (II João 10)… Enfim, peço ao leitor que não deixe de ver a lista completa deste rigor bíblico clicando NESTE link, ok?…

E o que dizer da perigosa – diabólica – mensagem da Igreja Católica, quando diz que somente a prática do homossexualismo é condenada por Deus? Ora; o leitor cristão agora já sabe bem, e o raciocínio é assim: “Se um homem que apenas olhar para uma mulher (pois os olhos também pecam), e se apenas nutrir em seu coração uma mera intenção de transar, já teria adulterado com ela, o que não dizer de um homem que, olhando – ou não – para outro homem, o desejasse apenas lá no fundo de seu coração? Ora: a regra é a mesma! O trinômio olhar/desejar/praticar é pecado junto ou separado! É pecado com ou sem resultar em transa! É pecado apenas em pensar! E deve ser pecado mortal, pois sua prática o é!

Pior: o Catecismo da Igreja, em sua última versão (li a versão de 2006), explicita justamente isso, a maldade hedionda do homossexualismo, enquadrado como pecado mortal, e sem mencionar que o mesmo seja consentido se for praticado apenas no pensamento! Logo, aqui está um pecado da Igreja, portanto, um sacrilégio, se de fato os padres tiverem sido instruídos a relativizar a malignidade do desejo homossexual, seja ele ocorrendo em homens, mulheres, jovens, adultos, pobres ou ricos. É até um suicídio eclesial coletivo de todo o clero, aventar a hipótese de condescender nesta matéria obrigatória do Sacramento da Reconciliação, pois não há perdão para pecados desejados mas não reconhecidos como tais! Talvez, quem sabe, não seja esta uma política de acobertamento (quase uma auto confissão) do homossexualismo dos padres, os quais chegam até ao absurdo de desejar crianças como parceiros de cama! Cruz credo! É, isso sim, uma política encomendada por Belzebu!

Finalmente, como nada no mundo é perfeito, creio que aqui apontei um dos erros da Igreja de Roma (a qual amo e venero), erro este que pode inaugurar, na Terra, uma nova agência do inferno, elevada do Lago de Fogo com todos os seus íncubos e súcubos! Nem quero pensar que esta “teoria católica” – de que somente a prática seria condenada – é um produto cego de um populismo injustificável, pois Jesus nunca pretendeu formar igrejas gigantescas em número de membros; pelo contrário, eram sempre os pequeninos rebanhos que ele amava (Lucas 12,32). Lamento e vou chorar rios de lágrimas quando os homens maus, aparentemente bajulados e “libertos” pela Igreja, fizerem meninos acreditar que não se distinguem em nada das meninas e vice-versa, antes de ver a própria Igreja chorar por eles! Porque “abrir a guarda” para o homossexualismo mental é admitir pureza na inclusão de crianças nas intenções deles! Somente nas intenções?… Será então o fim do mundo.

 

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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