Como reorganizar um casamento que não começou bem

Nem é preciso ser cristão para entender que uma conta de aritmética não pode prosseguir se quem a tiver resolvendo não voltar atrás e desfizer o erro cometido no seu início. Assim também é que deve ser o “Casamento-a-Três”: sem erros no início e sem erros de iniciação.

Casamento começou mal-1Você já sabe que é comum, em qualquer tipo de relacionamento, existir divergências e até mesmo situações que causam angústia, dor, raiva, vontade de acabar, enfim, essas coisas que todo mundo já tá careca de saber. E não tem jeito: a lógica aqui é a única que dá alguma luz para se refletir e analisar com certo consolo a situação. Ou seja, você deve pensar que “se essas coisas já acontecem com as amizades mais ‘frias’, imagina em uma relação mais longa, estável, íntima, na qual você convive com a pessoa praticamente todo tempo, dividindo problemas, estresses e outras coisas chatas e causadoras de intrigas(?)”, não é?…

Logo, não se desespere quando perceber uma situação dessas, até porque na maioria dos casos (entre 90 e 91%), os casais não curtem discussões, e às vezes até detestam discutir; o que não impede que às vezes aconteça umas “coisas estranhas”, e a divergência é tão sutil e inesperada que o casal só percebe que ficaram “frios” (ou até sem falar um com o outro) de corpo inteiro, quando a parte de cima, a cabeça que importa, esfria e o sangue volta ao normal. Só que não é NORMAL no sentido cristão, pois para o Cristianismo o matrimônio é sempre fonte de alegria, paz, carinho e felicidade a dois, desde que tenha sido desde o início um “Casamento-a-Três”.

A partir do próximo parágrafo, daremos três dicas importantes para evitar essas situações estranhas, onde uma voz oculta parece vencer todas as resistências ao confronto, e nem mesmo as orações do casal parecem estar sendo ouvidas (esta é uma ilusão perigosa e deve ser afastada tão logo se insinue entre vocês), isto quando os dois ainda se lembram de orar, pois para a maioria dos casais ‘crise’ é sinônimo de “Deus esquecido”…

1 – O que não fazer quando houver sinal de divergência

Deus ñ une pessoas mas propósitosNão podemos esquecer que todos nós estamos sob influências ruins que podem afetar nosso humor. As mulheres com seus ciclos hormonais e os homens com seus problemas profissionais, financeiros, ou simplesmente com o estresse do trânsito. Tais situações podem transformar o mais bem humorado ser humano da face da Terra na pessoa mais enfezada ou chata do mundo.

Nessas situações de estresse é comum um dos dois lados forçarem uma birra, uma implicância infantil, qualquer coisa que irrite, porque também já se irrita com qualquer coisa que o outro faça! Em pouco tempo, tudo virará motivo de discussão, ainda mais num lar de Cristo, sinônimo de paz e tranquilidade. Logo, se você tiver lucidez e perseverança para perceber que o seu parceiro está procurando encrenca (ou, melhor ainda, para perceber que VOCÊ está procurando birra), então releve a situação e deixe-o falar tudo, calando-se até ouvi-lo por inteiro. Jamais lhe dê as costas, pois você adicionará crueldade à já nutrida indisposição dele (com certeza só aumentaria o clima ruim). Aqui a única saída é ouvir, e ouvir bem.

Às vezes tudo o que o nosso parceiro precisa é “botar tudo pra fora”. Por isso deixe-o falar tudo o que precisa e depois, passado o turbilhão emocional, sente-se e converse numa boa, quase como se nada tivesse acontecido, e diga-lhe que compreende a situação, que não condena aquela atitude, mas que é preciso ponderação e cuidado com os nossos descontroles, pois todos nós, independente de qual relacionamento, possuímos nosso próprio “eu”.

2 – Cuidado ao falar sobre o passado

Teu passado te condena-1Muito comum e até válido no começo das relações, falar das experiências passadas até ajuda o novo relacionamento a caminhar na direção certa; contudo, quando este costume vai até mais tarde na relação, ou então passa dos limites (partindo para detalhes pessoais e até desnecessários), saiba que você pode estar firmando seu relacionamento na areia, em vez de na rocha que é Cristo.

Já ouviu o dito popular: “o peixe morre pela boca?” Pois é… Tem tudo a ver. Logo, cuidado com as coisas que revela e, caso ultrapasse os limites, não se esqueça de deixar bem claro para seu parceiro que tudo o que passou foi para estar com ele/ela; caso contrário, isso pode ser usado contra você no futuro, por mais cristã que seja seu(sua) parceiro(a).

Portanto, deixe o passado “quieto” e evite citá-lo por qualquer motivo (por exemplo: caso um dia acabe coincidentemente indo a um hotel que teria ido com outra/outro, evite-o e sugira outro com classe, ou simplesmente não diga que já o conheceu). Enfim, você pode fazer um resumo de sua história, de suas experiências, de preferência sem dar nomes aos bois: Não se esqueça de que o mundo é pequeno e o planeta dá muitas voltas…

3 – Não marque colado

É normal no decorrer de um relacionamento as coisas esfriarem um pouco; isso não significa que não aja mais amor ou desejo. Só deixou de existir aquela urgência doentia em que parece que o mundo vai acabar amanhã. Lembrem-se: isso é coisa de início, de falta de reflexão, de paixão-cega, de ânsia de acabar a solidão, enfim. No amor verdadeiro com Cristo, as coisas funcionam bem diferentes, e podem ser bem menos “ardentes”; porém quando logram acontecer, além de serem bem arrebatadoras, serão de uma profundidade intensa que os casais do mundo nem imaginam existir!

Querer ficar todo tempo juntosPor causa desse “esfriamento normal”, algumas pessoas começam a imaginar que seus cônjuges podem estar com relacionamentos extraconjugais e começam a cercá-lo de todas as maneiras: isto não caberá, em 95% dos casos, a cônjuges cristãos bem maduros e conscientes. No mundo, quando a pessoa chega mais tarde em casa, ou diz que não quer sexo naquela noite (por estresse ou cansaço), o parceiro já vê motivo para acreditar numa traição ou coisa que o valha. E pior, para mostrar que está de olho, começa a ligar ao fim do expediente para ver se está vindo para casa (não por preocupação, mas para cronometrar o tempo que durará o seu inferno mental). Infelizmente, o mundo é assim, e é por isso que Cristo fundou uma relação especial entre os sexos, chamada Matrimônio Cristão ou “Casamento-a-Três”.

Caso seja esta a pior hipótese na sua vida conjugal (de você estar desconfiando que sua mulher crente ou seu marido cristão esteja tendo um caso extraconjugal), nada melhor do que conversar seriamente, sem ameaças, dramas ou lágrimas, porque na maioria das vezes uma boa conversa resolve tudo. Depois disso, é seguir o velho conselho bíblico de Mateus 18,15-17 e, antes de pensar no fim da relação, é levar o assunto em particular ao seu conselheiro espiritual (padre ou pastor) para que ele possa lembrar ao cônjuge infiel qual o comportamento correto que Deus espera dele(a).

A “Regra Áurea” dada por Jesus também sempre é bem vinda, e ela pode ser aplicada aqui de maneira providencial (com outro entendimento), da seguinte forma: “seja verdadeiro com o outro, assim como quer que ele seja verdadeiro com você”. Isto provavelmente bastará para recriar ou reconstruir um lar formado sob a direção do Senhor, reintroduzindo a vontade de Deus em todos os “negócios” de seu amor conjugal.

 

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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