Como “elevar o nível” de seu casamento

Dando continuidade a esta série de artigos sobre o Casamento, vamos apresentar orientações para qualificar um casamento, as quais servirão mesmo para o casal que casou sem maiores convicções cristãs, ou mesmo para quem casou apenas no Cartório.

Carícia sob a noite-1Após todos esses anos em que o amor uniu em matrimônio aquele casal que freqüentava a mesma igreja, a mesma faculdade ou o mesmo ambiente de trabalho, de súbito o par se dá conta de que, comparando os modelos de lares felizes apontados pelas Escrituras ou vistos na igreja ou nos livros, seu casamento amofinou ou entrou num declínio de interesse e carinho, vivendo uma situação que nem de longe lembra os anos arrebatadores do início.

Se o casal então tem a bênção de enxergar um problema às vezes tão sutil quanto este do “arrefecimento das disposições de ânimo”, então está também perto do milagre de uma restauração plena, enquanto jamais tenham cogitado separar-se. E mais, provam que são filhos de Deus, pois o Senhor dos Exércitos não tolera separações, sobretudo quando elas são cogitadas no meio de seus filhos adotivos. O amor é uma semente que precisa ser cuidada para crescer firme e forte, e o Senhor disponibiliza todos os seus recursos para salvar um matrimônio, sobretudo se ele for o “Casamento-a-Três”.

Lembremos que a rigor, o casamento é o modo como um homem e uma mulher, sentindo-se apaixonados um pelo outro, e tendo encontrado tantos pontos de afinidade que não deveriam mais ser só amigos, decidem dar um passo mais sério nos seus encontros semanais, e se propõem morar juntos para se verem diuturnamente. Assim, dormindo e acordando um ao lado do outro, formam um laço indestrutível chamado FAMÍLIA TRADICIONAL, a qual Deus preordenou para durar até que a morte os separe.

Adão, Eva e a serpente em transpPorém o dormir e o acordar juntos, que “obriga” a estarem os dois debaixo de um mesmo teto, necessariamente implica numa das coisas mais difíceis da vida, desde a Queda de Adão e Eva. A saber, a convivência humana, ou melhor, a convivência entre seres livres que decidiram deliberadamente viver por conta própria, ou seja, seguindo sempre a própria cabeça e não os conselhos de Deus (isto aconteceu no Éden e tende a acontecer ainda hoje).

E o difícil está justamente aí: por quererem seguir sempre a própria cabeça e não os conselhos de Deus, não há como garantir a harmonia e a sintonia de modos de vida e muito menos de opiniões, sem uma “cabeça sadia” (a de Deus) para interferir quando as coisas não “combinarem” na ótica dos dois. Eis porque a Queda do primeiro casal foi um desastre tão medonho, e porque a participação de Deus tornou-se uma condição “sine qua” para salvar uma relação que sempre começa tão linda e vai definhando até a separação.

De certo modo, ninguém se casa querendo acabar, ou planejando ver aquilo tudo na rua da amargura, pois todo mundo – sobretudo cristãos – se casam sonhando com um amanhã feliz ao lado da pessoa amada. E a imaginação é ótima aqui: faz bem imaginarmos alegrias e maravilhas para fazer ao lado da pessoa amada, acreditando estar vivendo um conto de fadas da Disney (sem “a bruxa malvada”, que Deus cuida de afastar de nós).

Como casamos (800 x 441)Todo casal, antes da realização da cerimônia na igreja, nutre em sua mente inúmeros sonhos românticos, muitos dos quais são guardados concretamente. Até chegam a chorar, incentivados pelas ótimas recordações ao folhear o álbum de casamento ou re-assistindo os DVDs do casamento e da época de namoro/noivado. É muito bom termos no coração e na mente situações felizes, pensarmos que tudo dará certo e sermos positivos. Mas é aqui mesmo que o velho inimigo aparece, incentivando nosso coração a nutrir elevadas expectativas para com uma alma pecadora como a nossa, e que, por isso mesmo, sempre vai falhar um dia e nos decepcionar. Mais uma vez temos a chance de ver a cena como se Deus estivesse nos dizendo: “sem mim nada podeis fazer” (João 15,5).

Enfim, ao percebermos que nossos planos começam a se perder em meio à complexa realidade da convivência, nos frustramos e começamos a perder a fé nos sentimentos que nos levaram até aquele estágio de nossa vida (entre os casais mundanos, é nesta hora que eles se encaram no espelho e pensam: “não era isso que eu queria para mim!”). Se o casal for cristão, imediatamente lembrará de Deus e se perguntará: “onde é que nós erramos e ofendemos ao Senhor? Vamos orar e voltar para a Palavra de Deus e ver o que Ele nos diz”.

Logo, existe uma solução. Seja para casais cristãos já casados ou ainda solteiros. Não podemos dizer o mesmo quando o casal luta sem Deus no terrível “jogo do amor”, e encontra o mundo inteiro sem a mínima condição de ajudar, ou até interessado na separação, por razões diversas. Por isso o que falamos aqui cai melhor para crentes no Senhor Jesus (independente da denominação religiosa reformada ou católica), mas também pode levar casais não-cristãos a refletir e analisar onde erraram, ou porque erraram, na busca de salvar aquilo que um dia já lhes fez muito felizes. Talvez vejam que se unir a Deus seria uma solução, se é que ainda se amam ou se ainda sentem “simpatia de presença” na relação com o(a) outro(a).

coloque-a-biblia-em-praticaCom a orientação bíblica e teológica, não esquecemos que a pessoa ao nosso lado possui limitações egressas de sua vida neste planeta perdido, e por isso não podemos esperar dela mais do que seu nível espiritual enseja, e vice-versa. E muito menos criar expectativas “megalomaníacas” acerca do amanhã: este, como dizem por aí, ao Senhor pertence, e tudo o que podemos fazer é a nossa parte da obediência bíblica da melhor maneira possível, lembrando de incentivar o(a) parceiro(a) a ir à igreja, orar, ler a Bíblia, etc.. Infelizmente, muitas pessoas esperam demais e dão de menos de si a Deus, e certamente pagarão por isso numa vida de brigas e infelicidade. Esquecem que um relacionamento a dois é antes de tudo um “Casamento-a-Três”, e neste caso o Senhor é o Rei e a Lei!

Afora isso, trocar experiências, seja nas vitórias ou nas derrotas, pois a Bíblia diz que devemos rir com quem ri, e chorar com quem chora. E com essas trocas a dois e a três vamos aprendendo a viver cada vez mais semelhante à Santíssima Trindade, de uma maneira mais harmônica e amorosa. Nunca podemos esquecer que casamos na igreja com alguém como nós, que possui defeitos e qualidades. Aliás, jamais esquecer as qualidades é um segredo inestimável do “Casamento-a-Três”. Tudo isso pode iluminar e inspirar casais não crentes.

No mundão perdido, as pessoas fazem questão de lembrar as falhas dos outros, e quase nunca lembram as qualidades. Acredite agora: quando algo assim acontece, isso faz você induzir inconscientemente o(a) parceiro(a) a procurar alguém que valorize aquilo que, para ele(a), você já não dá mais importância. Você entendeu? Somente Deus tem a capacidade de criar um ser humano da maneira que Ele deseja; e nós? Ora, se nós mal podemos mudar a nós mesmos (e é o que tanto precisamos!), imagine os outros!… Logo, se você vir algum defeito no outro, procure primeiro o seu espelho e peça a Deus ajuda. Vendo este seu gesto de humildade, Ele irá ajudar os dois, porque jamais deseja a separação de ninguém. Eis aí a pedra de toque para uma vida feliz e perene.

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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