Casamento: Quando gostos diferentes ameaçam a relação

Vamos esquecer aquela história de “cara-metade”, ou “a outra metade da laranja”. Sim, é romântico pensar assim, mas não podemos nos esquecer que casamentos possuem muito mais da crueza da realidade do que da fantasia, e por isso precisamos encarar seriamente o relacionamento como uma coisa séria, honesta e desafiadora.

Opostos se repelem-1Quando os casais se conhecem, ficam horas e horas conversando a respeito de seus gostos particulares, e é assim que propõe iniciar a caminhada esta Agência (“Casamento-a-Três”), pois seus fundadores iniciaram seu namoro numa outra Agência que também lhes “obrigou” a terem uma longa e detalhada conversa “inaugural”. Ali conversamos sobre tudo, por quase 5 (cinco) horas, explicando que um gostava de filme de suspense; o outro preferia dramas e romances; um prefere livros de auto-ajuda; o outro prefere livros de religião; um gosta de sair no sábado e ficar agarradinho no domingo só descansando; o outro não gosta de sair de jeito nenhum e quer passar o final de semana em casa. Enfim, é tudo diferente – entre a maioria dos casais – e por isso o jogo do amor é tão difícil e muitas vezes ingrato.

Você se lembra do broxante consolo chamado “ossos do ofício”? Nem é bom lembrar, usando uma expressão típica de empresários mal pagadores, pois na verdade tudo foi planejado por Deus, não para juntar um homem e uma mulher numa cama e os fazerem gozar a vida, mas para auxiliar na difícil tarefa de construir suas almas para que nelas haja firmeza no desejo de permanência no Reino de Deus (único objetivo que de fato importa, sendo tudo o mais mera coincidência circunstancial de uma caminhada, cuja trilha possui os atalhos típicos da interferência divina na salvação da Humanidade).

Portanto, os gostos e as preferências individuais sempre irão coincidir ou colidir na difícil convivência doméstica, obrigando a que o casal adote o “respeito pressuposto” o tempo inteiro. Lembrar que muitos gostos do(a) parceiro(a) fazem parte do que ele/ela é, e talvez tenham sido a grande razão para estarem juntos, abaixo apenas da missão divina da procriação e da constituição de famílias fortes no meio da sociedade, tudo para ajudar a combater o inimigo das famílias e de Deus.

No mundão perdido, muitos casais chegam num determinado ponto da vida em que cada um se pergunta: “por que me apaixonei por este(a) infeliz?”. Escolhemos aqui a palavra “infeliz” justamente para deixar claro que, ao pensar tal coisa, percebemos que não é apenas o infeliz que pergunta isso, mas os dois são “infelizes” num relacionamento desses! Somente o senhorio Cristo em suas vidas poderia fazer com que os casais não se vissem como infelizes após longos anos em que se dedicaram um ao outro, e ao final dando de cara com o forte cheiro da ingratidão.

Dieta obrigatória ou mortePorquanto, os gostos individuais precisam ser valorizados e respeitados. Ao criticarmos o gosto do parceiro, podemos dar início a uma discussão descabida e sem qualquer fundamento, ainda mais quando ele – ou ela – não faz o mesmo e consegue não criticar os gostos do parceiro! Lembrar que a Bíblia (e autores como CS Lewis) mostra que os gostos individuais não são pecados, e que se Deus não os julga por tais coisas, quem somos nós para fazê-lo? (Lembrar que foi o Senhor quem nos aprovou, e não homem/mulher algum(a) neste mundo! – Rm 8,33-34), exceto quando de fato gostamos de um pecado, e aí só uma conversão verdadeira pode salvar quem tem um gosto diabólico desses!

Velho surdoSe ele gosta da Heavy Metal e você de sinfonias, é preciso respeitar e não ficar se perguntando como alguém pode gostar de uma barulheira daquela ou ficar ouvindo um bando de violinos lânguidos irritando os ouvidos. Em vez de criticar, tente iniciar um novo regime (como você faz quando precisa comer uma comida que seu médico lhe receitou), um “regime de aprimoramento do paladar auditivo”, fazendo seus ouvidos se acostumarem com aquele gênero de música, pois muita gente aprendeu a gostar dele com o passar dos anos e exposição contínua. Nosso ouvido às vezes é meio teimoso, e nos descobrimos um dia gostando de um gênero musical que detestávamos outrora. Lembre que se conseguir mudar (na verdade “ampliar”) seu paladar, além de ter ganho mais uma fonte de diversão e inspiração, também conseguiu estar mais junto de seu cônjuge.

Você não precisa se tornar fã ou “amar” o gosto alheio, mas muitas vezes nos surpreendemos que nossos gostos mudem tão drasticamente, como notamos ao longo da vida e acabamos gostando de coisas que um dia detestamos: deixando o preconceito de lado e se permitindo compartilhar com o parceiro os seus gostos, quem sabe não acontece o mesmo? Por exemplo, se ele/ela curte uma comédia romântica, por que não assistir e rir um pouco?

DVD À PROVA DE FOGODá próxima vez combine de assistir um outro filme de sua escolha, e assim por diante, organizando uma espécie de “agenda da vez”, a qual tem salvado muitos casamentos, pode apostar (a propósito disso, não deixe de assistir ao filme “À Prova de Fogo”). E não se esqueça: não vá acompanhar o(a) outro(a) para ficar criticando ou procurando defeitos: lembre que o(a) outro(a) está feliz por vê-lo(a) acompanhar um gosto particular dele ou dela, e se você se opuser a dar-lhe a vez, estará colocando sua própria palavra em xeque; afinal de contas, você decidiu seguir a agenda.

Enfim, respeite os gostos de seu/sua parceiro(a) e tente ser o mais democrático(a) possível: não esqueça que amor também é cumplicidade e respeito. “Estar junto” não significa apenas estar ao lado ocupando espaço, pelo contrário, estar ao lado é fazer parte de uma existência, compartilhar bons momentos, curtir emoções juntos, gozar a vida. Agora que compartilham tudo em comum, precisam encontrar o equilíbrio para que o relacionamento seja saudável para ambos. É sempre importante ceder um pouco (e aqui está outro bom filme indicado NESTE link): quando apenas um lado cede, a ideia de injustiça começa a marcar o coração e abrir uma ferida que pode crescer e contaminar todo o matrimônio desejado por Deus. Pense nisso e seja feliz!

 

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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