Avançar no tempo nem sempre vai em busca da perfeição

Uma cegueira proibida: fechar questão de que o passado passou e o presente só trouxe o bem.

Evolução homem-comidaA Pós-modernidade trouxe um fenômeno assaz preocupante e contraditório, com o qual a Humanidade inteira parece acreditar que, apesar de um erro colossal cometido no início da História, o resultado daria certo, como se uma equação matemática apontasse ao final a realidade verdadeira, após cometido um erro de inicialização.

Ora; não há nada que recomende manter-se resoluto numa caminhada, se o caminhante errou na primeira curva. Nada pode ser mais frustrante e desesperador do que continuar caminhando após um erro na leitura do mapa: parece que é este o quadro em que o mundo está inserido.

Queda do 'homi'De todas as correntes religiosas do mundo, e são inúmeras, quase não há nenhuma que não tenha apontado um erro no início, para que o planeta Terra caminhasse tão mal como vem caminhando, com uma escalada de violência e imoralidade que só aumentam com o passar dos anos.

Mas o pior é que, tendo caminhado todos esses anos e tendo alcançado a era tecnológica, agora conta com um novo instrumento de propagação e internalização de idéias, através do qual todo mundo acredita que nada há de bom no passado, e que só aquilo que é atual está correto e deve ser seguido.

SonâmbuloAssim sendo, se tudo o que passou era ruim e só o que se vive hoje é bom, então a Humanidade caminha às cegas, neste abandono das sóbrias tradições que formaram as civilizações e a civilidade, e o futuro é, para dizer o mínimo, incerto e sombrio.

Talvez se possa ver isso com mais clareza com o seguinte raciocínio: digamos que os seus filhos pequenos (se não for o seu caso, imagine-se pai ou mãe de crianças em idade escolar), que até então haviam recebido de vocês dois – pai e mãe – a melhor e mais ajuizada educação, tiveram o “azar” de perder seus pais num acidente infeliz. A partir do acidente, e por não terem outros familiares, foram colocados numa instituição suburbana para órfãos, na qual não receberam mais nenhuma educação de valor. Com isso, e com o passar do tempo, os meninos se esqueceram da educação que seus pais lhe deram e passaram a se comportar a bel prazer, fazendo tudo o que lhes der na telha (e como se uma educação de verdade não existisse), do jeito que as crianças do subúrbio se comportam.

Sem leiOra; depois de chegarem à fase adulta (se é que não foram mortos antes pela polícia) e de viverem sem qualquer controle, seria estranho que se revoltassem contra quem lhes quisesse educar? Claro que não. Afinal já são adultos. E assim, depois de todo esse tempo, o mais provável é que não apenas tivessem esquecido toda a educação que tiveram, mas chegassem até à firme convicção de que “nunca foram educados”, e que este troço chamado Educação não existe. Afinal, se é coisa do passado, se é coisa de antes do acidente, então só pode ser ruim, se é que existe.

Cus ñ valemAssim está a atual geração: órfã de um modelo educacional de boa referência, e acreditando que aquilo que no passado educava moralmente, não pode servir para hoje porque aparentemente “cerceou liberdades” e infelicitou seus protagonistas. Logo, tudo o que for além de uns 7 (sete) anos atrás para cá, ou tudo o que tiver mais de 7 anos, deve ser rejeitado e enterrado a 7 palmos, para o bem da sociedade.

E aí? E se os verdadeiros valores humanos estiverem no passado? E se a honra, a lealdade, a solidariedade, a fraternidade e a moralidade tiverem sido companheiras amigas das civilizações passadas? E se tiverem até salvado (protegido) a Humanidade do caos e da barbárie que a Pós-modernidade oferece a três por quatro?

bible_crucifix_lg_clrFinalmente, se qualquer pessoa ou projeto de criação de uma nova civilização não se convencer de que para continuar protegendo a Humanidade da violência e da degeneração, será preciso buscar, lá atrás, a Moralidade verdadeira e o Civismo que um dia foram unânimes nas melhores sociedades, o homem moderno é na verdade um suicida morando num sistema que mais cedo ou mais tarde se auto-destruirá.

Para desprestigiar qualquer coisa, nunca diga que tal coisa é velha ou ultrapassada. Examine-a a fundo para ver sua profundidade. Desconfie sempre de uma oferta cujo único benefício é ser nova e moderna. Resgate as propostas que lhe obriguem a manter vínculos com o passado, pois do futuro nada sabemos, do presente temos o caos, mas do passado temos uma certeza: ele nos permitiu nascer e chegar até aqui.

Sobre John Valente

Prof. John Valente - Especialização: relacionamento conjugal cristão; Formado em Administração de Empresas e Teologia, especializou-se em Ciências da Religião, e participou de diversos cursos e treinamentos na área de relacionamento conjugal, inclusive o Seminário de Relacionamento Afetivo da “Agência de Casamento” que lhe apresentou à sua esposa.
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